domingo, 8 de abril de 2012

Rafaela de Siqueira



Amanhã eu vou atrás das minhas respostas,
amanhã eu quero saber o que fizeram das minhas dúvidas!
Daqui há algumas horas…
eu vou querer saber de tudo
vou pedir arrego,
vou correr pra onde puder,
vou achar uma solução.
Amanhã, apenas amanhã eu vou me fingir de forte
e vou cobrar uma explicação.

Amanhã eu vou parar pra pensar
porque o mundo em que eu vivo não funciona assim.
Eu vou correr
porque sei o destino de quem corre.
Sei que o horizonte é sempre a melhor saída.
Amanhã…
eu queria que tudo se resolvesse e
que eu pudesse acordar com a cabeça mais leve.
De amanhã eu vou me arrepender pelo resto da vida.
De amanhã eu vou levar apenas a sensação de leveza
que me dominará como nada jamais conseguir dominar-me.
Amanhã talvez eu volte pra minha casa antiga
me deite no mesmo lugar,
e assista ao mesmo programa…
amanhã talvez eu não tenha pra onde ir…
Ou talvez nenhum lugar esteja à minha espera.

(Rafaela de Siqueira)

Crédito: Se essa rua fosse minha...eu mandava ladrilhar

sábado, 17 de março de 2012

Pensamento de Chaplin

 
Posted by Picasa

Abandono, Chico Buarque



O que será ser só
Quando outro dia amanhecer
Será recomeçar
Será ser livre sem querer
O que será ser moça
E ter vergonha de viver

Ter corpo pra dançar
E não ter onde me esconder
Tentar cobrir meus olhos
Pra minh'alma ninguém ver
Eu toda a minha vida
Soube só lhe pertencer

O que será ser sua sem você
Como será ser nua em noite de luar
Ser aluada, louca
Até você voltar
Pra quê

O que será ser só
Quando outro dia amanhecer
Será recomeçar
Será ser livre sem querer
Quem vai secar meu pranto
Eu gosto tanto de você

quinta-feira, 15 de março de 2012

quarta-feira, 14 de março de 2012

Caio Fernando Abreu


“Lá está ela, mais uma vez. Não sei, não vou saber, não dá pra entender como ela não se cansa disso. Sabe que tudo acontece como um jogo, se é de azar ou de sorte, não dá pra prever. Ou melhor, até se pode prever, mas ela dispensa.

Acredito que essa moça, no fundo gosta dessas coisas. De se apaixonar, de se jogar num rio onde ela não sabe se consegue nadar. Ela não desiste e leva bóias. E se ela se afogar, se recupera.

Estranho e que ela já apanhou demais da vida. Essa moça tem relacionamentos estranhos, acho que ela está condicionada a ser uma pessoa substituta. E quem não é?

A gente sempre acha que é especial na vida de alguém, mas o que te garante que você não está somente servindo pra tapar buracos, servindo de curativo pras feridas antigas?

A moça…ela muito amou, ama, amará, e muito se machuca também. Porque amar também é isso, não? Dar o seu melhor pra curar outra pessoa de todos os golpes, até que ela fique bem e te deixe pra trás, fraco e sangrando. Daí você espera por alguém que venha te curar.

Às vezes esse alguém aparece, outras vezes, não. E pra ela? Por quem ela espera?

E assim, aos poucos, ela se esquece dos socos, pontapés, golpes baixos que a vida lhe deu, lhe dará. 
A moça – que não era Capitu, mas também têm olhos de ressaca – levanta e segue em frente. 

Não por ser forte, e sim pelo contrário… Por saber que é fraca o bastante para não conseguir ter ódio no seu coração, na sua alma, na sua essência. E ama, sabendo que vai chorar muitas vezes ainda. Afinal, foi chorando que ela, você e todos os outros, vieram ao mundo.”


quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Fernando Pessoa - Poema em Linha Reta

Fernando Pessoa - Esta velha angustia

Queixas por Caetano Veloso_0001.wmv


Queixa, Caetano Veloso

Um amor assim delicado
Você pega e despreza
Não devia ter despertado
Ajoelha e não reza
Dessa coisa que mete medo
Pela sua grandeza
Não sou o único culpado
Disso eu tenho a certeza
Princesa, surpresa, você me arrasou
Serpente, nem sente que me envenenou
Senhora, e agora, me diga onde eu vou
Senhora, serpente, princesa
Um amor assim violento
Quando torna-se mágoa
É o avesso de um sentimento
Oceano sem água
Ondas, desejos de vingança
Nessa desnatureza
Batem forte sem esperança
Contra a tua dureza
Princesa, surpresa, você me arrasou
Serpente, nem sente que me envenenou
Senhora, e agora, me diga onde eu vou
Senhora, serpente, princesa
Um amor assim delicado
Nenhum homem daria
Talvez tenha sido pecado
Apostar na alegria
Você pensa que eu tenho tudo
E vazio me deixa
Mas Deus não quer que eu fique mudo
E eu te grito esta queixa
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